El Ángel exterminador (1962)
Junho 4, 2008

O Anjo Exterminador (1962)
Tendo como início um jantar numa mansão após uma noite de ópera, os convivas acabam presos dentro do “living” pra onde haviam se dirigido para festejar. Tomados por uma súbita abulia, acabam entrincheirados em meio a figuras celestiais, pessoas nem sempre conhecidas, ou sequer amistosas, pouca comida e a animosidade que vai tomando conta do comportamento dos mais desesperados
Junto ao posterior O discreto charme da burguesia, esta pode ser considerada a obra de maior crítica à elite, descrevendo, com precisão e sem moralismos, a podridão dos costumes através destes burgueses esnobes e tiranos. Enquanto o tempo vai evoluindo, alguns acabam amansando, mas o que vemos na maioria é o ser humano cada vez mais próximo de tornar-se irracional, levado por instintos de sobrevivência, mesclados por sentimentos muitas vezes assistidos, como o egoísmo e a violência
O retrato da burguesia desde o início é criado para considerá-la a mais vil, cruel, desumana e imoral faceta da sociedade, desde o comportamente dos patrões com empregados, os maldizeres, a hipocrisia, o adultério, a vaidade, a desconsideração ao próximo, a imoralidade (a qual é tratada com a maior naturalidade e complacência), além da inevitável ironia sórdida. Como parte da construção narrativa, há a rígida apresentação, um a um, daqueles que ficarão aprisionados. Em certo trecho, uma das convidadas confessa ter sofrido muito com a morte de um príncipe conhecido dela, mas que não se sentira sensibilizada ao vislumbrar dezenas de pobres esmagados num acidente de trem, pois considera que as pessoas baixas – este é o termo utilizado por ela – não devem sentir dor como eles – a elite – sentem. Compara os pobres a animais de abate, serviçais descartáveis e peças facilmente substituíveis.
O anjo exterminador atua como carrasco destes seres ingratos, que em sua posição vantajosa preferem pisotear os menores e escarafunchar os focinhos no caviar, vivendo a promiscuidade entre suas paredes douradas. Tanto que os empregados, logo de início, debandam da mansão por motivos inexplicáveis, ficando apenas o mordomo, símbolo de uma aceitação ao comportamento patronal, que poderia ser comparado aos antigos “capitães do mato”.